Nesta reforma, a permanência deixa de ser um dado passivo e se afirma como diretriz de projeto.

Nosso escritório compreende a sustentabilidade não como um aditivo, mas como um princípio estruturante — uma forma de pensar e fazer que se inicia naquilo que já existe.
Em vez de operar pela lógica da substituição, o projeto se orienta por uma leitura atenta do preexistente, reconhecendo em cada elemento não um limite, mas um campo de possibilidades.

A recusa do desperdício é o primeiro gesto. Preservar estruturas, revestimentos e componentes que ainda carregam valor — técnico, afetivo e material — significa reduzir impactos e, ao mesmo tempo, qualificar o processo construtivo.
Cada permanência evita o descarte, conserva energia incorporada e desloca o foco do consumo para a transformação. Sustentabilidade, aqui, se constrói pela continuidade.
Inserido em uma residência com mais de três décadas, o lavabo sintetiza essa abordagem. A intervenção parte de um princípio silencioso, porém decisivo: intervir sem apagar.
A louça sanitária existente foi integralmente mantida — inclusive o lavatório com coluna, cuja presença orienta o novo desenho. Ao seu redor, um sistema lateral de armários e prateleiras reorganiza o uso, amplia a funcionalidade e responde às demandas atuais sem romper com a base existente.


A materialidade reforça esse posicionamento. A marcenaria em compensado de tauari, com acabamento em óleo de origem renovável, introduz uma camada contemporânea ao espaço ao mesmo tempo em que dialoga com critérios de baixo impacto.


A escolha não se dá apenas pela estética, mas pela procedência, durabilidade e responsabilidade no uso dos recursos.


As transformações se concentram onde são necessárias. A substituição do piso por ladrilho hidráulico requalifica o ambiente e corrige tecnicamente o caimento em direção aos ralos, aprimorando seu desempenho.
Nas paredes, a remoção dos azulejos dá lugar a uma superfície contínua em tom neutro, permitindo que os elementos preservados ganhem leitura mais clara e que o espaço respire com maior leveza.


Há, nesse processo, uma economia que ultrapassa o orçamento. Trata-se de uma economia de matéria, de energia e de tempo — um exercício de precisão onde cada decisão é medida. Reformar, sob essa perspectiva, não é substituir, mas ajustar; não é romper, mas dar continuidade com critério.
Abaixo, imagens da situação original do lavabo.


Valorizar o existente, portanto, não é apenas uma estratégia sustentável, mas um posicionamento projetual do nosso escritório.
Um modo de operar que privilegia a redução de resíduos, o controle consciente dos custos e, sobretudo, a construção de uma arquitetura que reconhece, no que já está posto, a sua maior potência.
