Casa na Cidade Universitária, Campinas: Implantação e Paisagem como Partido

Elaboração do projeto arquitetônico e condução da execução desta residência unifamiliar, situada no bairro Cidade Universitária, em Campinas, SP — um exercício de leitura sensível do lugar, onde implantação, luz e paisagem constroem, juntas, a essência do projeto.

Implantada em um terreno plano de 450 m², com área construída de 293 m², a casa nasce do diálogo entre orientação solar e preexistências naturais.

A presença de árvores no lote não foi tratada como obstáculo, mas como diretriz: elementos preservados e incorporados ao desenho, capazes de orientar o partido e qualificar a experiência espacial.

A decisão pela implantação em diagonal não é um gesto arbitrário, mas estratégico. Ela potencializa a insolação — privilegiando a face norte para dormitórios e áreas sociais —, otimiza a disposição das placas de captação solar e, simultaneamente, assegura maior privacidade em relação ao entorno já consolidado.

É um deslocamento sutil que reorganiza o lote e redefine as relações entre interior, exterior e vizinhança.

A casa se abre generosamente à luz e ao ar. Ventilação cruzada e iluminação natural são constantes em todos os ambientes.

Nos dormitórios, a presença de duas aberturas — seja por meio de janelas complementares, seja pela combinação entre porta-balcão e janela — amplia a qualidade ambiental e estabelece múltiplas conexões com o exterior.

A continuidade entre dentro e fora é um princípio estruturador: o jardim não é apenas paisagem, mas extensão do espaço habitado.

Esse mesmo gesto se revela no interior, onde a escada de acesso ao mezanino emerge de um jardim interno, diluindo fronteiras e trazendo a natureza para o centro da casa.

A racionalidade do espaço também orienta o projeto. A supressão de áreas de circulação tradicionais — como corredores e halls — resulta em uma planta mais fluida e eficiente.

No pavimento superior, o mezanino assume caráter multifuncional, configurando-se como espaço de estar, trabalho ou leitura. Sua geometria, marcada por curvas e inflexões, cria nichos e possibilidades de uso que se adaptam ao cotidiano.

Ao longo de todo o perímetro, grandes aberturas, portas e janelas integradas a varandas reforçam a relação com o exterior, promovendo conforto térmico e visuais amplas em diferentes estações do ano.

Assim, a arquitetura se constrói como um campo de continuidade — entre luz, vegetação e espaço — onde cada decisão projetual responde, de forma precisa, às condições do lugar.

  • Data : 2001
  • Área total : 292,86 m²
  • Área terreno : 450,00 m²
  • Localização : Cidade Universitária – Campinas