Do fundo árido, emerge um jardim: a arquitetura abre, a vegetação estrutura e o espaço se torna permanência

No fundo do lote, a área livre se apresentava como um espaço árido, marcado pela ausência de vegetação e por uma relação ainda frágil com o interior da residência. Embora ocupada pela área gourmet, não se configurava plenamente como lugar de permanência.

A proposta parte da requalificação desse vazio.

Em escala reduzida, o projeto introduz canteiros e massas vegetais que reorganizam a ambiência, trazendo sombreamento, frescor e maior acolhimento ao espaço.

A integração com a sala de estar é ampliada por meio de uma porta panorâmica, que dilui os limites entre interior e exterior.

Sobre essa transição, um pergolado metálico com cobertura em vidro estabelece uma camada intermediária: protege da incidência do sol poente e permite o uso contínuo, mesmo em dias de chuva.

Painéis de fibra vegetal complementam o sistema, filtrando a luz direta e desenhando sombras ao longo do dia.

Assim, o que antes era um fundo residual passa a operar como jardim — um espaço de permanência, onde o paisagismo não se limita ao caráter ornamental, mas atua como estrutura, mediando luz, sombra e conforto.

Vale observar que não é a ampliação de metros quadrados que, por si só, produz espaços acolhedores ou convida à permanência ao longo dos diferentes momentos do dia e das estações. É o projeto — preciso e atento às condições existentes — que potencializa o que é escasso, transformando limites em qualidade de uso e presença.