Curvas que organizam: o traço orgânico na sala integrada

Neste projeto, o espaço não se fragmenta — ele se desdobra. Estar e jantar coexistem em um único campo contínuo, onde a integração deixa de ser estratégia e se torna condição inerente ao habitar contemporâneo. Não há rupturas, mas transições.

Projetar o contínuo implica operar no limite entre definição e liberdade. É nesse intervalo que o projeto se inscreve: não através de divisões, mas de inflexões. Pequenos deslocamentos na matéria, variações quase imperceptíveis que instauram ordem sem recorrer à interrupção.

O piso emerge como superfície ativa. Não mais plano neutro, mas campo de inscrição. O encontro entre cumaru e tauari se resolve em uma linha que escapa à ortogonalidade — uma curva que não delimita, mas tensiona.

Um traçado que conduz o corpo e organiza o espaço sem jamais fixá-lo.

Essa linha, ao mesmo tempo precisa e imprecisa, institui uma borda instável.

Não há separação, mas um estado intermediário, onde os usos se contaminam e se redefinem continuamente. O espaço deixa de ser compartimentado para se tornar relacional.

Nos planos verticais, a cor atua como intensidade. Superfícies em amarelo não apenas destacam, mas ativam — instauram pontos de ancoragem perceptiva onde a luz e o objeto se articulam. A luminária, nesse contexto, deixa de ser elemento isolado e passa a compor um sistema de orientação sensível.

Assim, o projeto não organiza o espaço por limites, mas por gradientes.

Não impõe hierarquias rígidas, mas sugere percursos, pausas, aproximações. Habitar, aqui, é reconhecer-se nesse contínuo — onde cada gesto espacial não encerra, mas abre possibilidades.