Entre as premissas colocadas pelo cliente, uma se impunha com clareza: a necessidade de qualificar o encontro entre interior e exterior.


A residência carecia de um espaço de transição capaz de ampliar a sala de estar e, ao mesmo tempo, estabelecer uma relação mais generosa com a área da piscina.

A ausência desse intervalo — especialmente na face oeste, exposta à insolação intensa e às chuvas — resultava em um ambiente desconfortável, pouco utilizado e dependente do fechamento constante das aberturas.


A proposta parte, portanto, do desenho desse “entre-lugar”: nem totalmente interno, nem completamente externo.
Um espaço capaz de mediar luz, vento e temperatura, acomodando os diferentes ritmos do dia e das estações. Em climas como o nosso, essa condição intermediária deixa de ser um luxo e passa a ser uma estratégia essencial de projeto.
A solução se materializa em uma cobertura leve, que articula estrutura metálica, planos de vidro e fibra natural. A escolha não é apenas técnica, mas também sensível.


O metal oferece a precisão necessária para responder à geometria não ortogonal existente, absorvendo o descompasso entre a edificação original e os limites do terreno.
O vidro, por sua vez, preserva a entrada de luz natural, evitando que a nova intervenção obscureça os ambientes internos.
Já o sapé introduz uma dimensão tátil e acolhedora, filtrando a luz e conferindo ao espaço uma atmosfera mais orgânica e descontraída.
O resultado é uma pequena varanda que opera como extensão da sala de estar, protegendo o interior da incidência direta do sol poente e das intempéries, ao mesmo tempo em que cria um novo lugar de permanência. Um espaço que permite estar fora sem sair da casa, e estar dentro sem se desligar do exterior.

O desenho do mobiliário reforça essa vocação híbrida, organizando dois modos de uso: um estar mais informal, com sofás e poltronas, e outro voltado à mesa, apto a refeições ou encontros cotidianos.
A iluminação, tratada de forma difusa e indireta, acompanha essa intenção, evitando excessos e privilegiando uma ambiência mais serena, adequada ao convívio prolongado.

Já no entorno da piscina, uma sequência de decks em patamares escalonados desenha novas áreas de permanência, integradas ao paisagismo e à topografia do lote.
Mais do que ampliar a casa, o projeto reorganiza suas transições. E, ao fazê-lo, transforma a experiência cotidiana: substitui a escolha rígida entre dentro e fora por uma gradação de espaços, onde arquitetura e clima passam a dialogar de maneira mais equilibrada.

